A identificação como cena compartilhada

do trauma à escrita

Autores

  • Alexandre Patricio de Almeida Pontifícia Universidade Católica de São Paulo

DOI:

https://doi.org/10.60106/rsbppa.v27i2.927

Palavras-chave:

Autoficção, Identificação, Psicanálise, Testemunho, Trauma

Resumo

Este artigo examina o conceito de identificação na psicanálise, tal como formulado por Freud e reelaborado por Ferenczi, articulando-o à literatura autoficcional contemporânea. Em Freud, a identificação é, frequentemente, descrita como operação constitutiva do Eu, inseparável tanto da perda quanto da introjeção do objeto. Ferenczi, por sua vez, ao investigar o trauma e o desmentido, mostra como a identificação pode surgir como um recurso de sobrevivência, quando o sujeito é forçado a se identificar com o agressor. A autoficção, neste estudo, é abordada como uma terceira via: ao transformar experiências de dor em narrativa, ela possibilita a elaboração psíquica (individual e coletiva). Para tanto, a análise se apoia em obras de Annie Ernaux, Grada Kilomba e Édouard Louis, nas quais a escrita opera como testemunho, reinscrevendo no tecido social marcas de classe, racismo e homofobia.

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Biografia do Autor

Alexandre Patricio de Almeida, Pontifícia Universidade Católica de São Paulo

Psicanalista. Mestre, doutor e pesquisador de pós-doutorado pelo Programa de Pós-Graduação em Psicologia Clínica da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC–SP). Autor de diversos artigos científicos e livros. Criador do podcast “Psicanálise de Boteco”. Finalista do Prêmio Jabuti (2023).

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Publicado

13.11.2025

Como Citar

Almeida, A. P. de. (2025). A identificação como cena compartilhada: do trauma à escrita. Psicanálise - Revista Da Sociedade Brasileira De Psicanálise De Porto Alegre, 27(2), 16–30. https://doi.org/10.60106/rsbppa.v27i2.927

Edição

Seção

Trabalhos Temáticos – Identificação