A identificação como cena compartilhada
do trauma à escrita
DOI:
https://doi.org/10.60106/rsbppa.v27i2.927Palavras-chave:
Autoficção, Identificação, Psicanálise, Testemunho, TraumaResumo
Este artigo examina o conceito de identificação na psicanálise, tal como formulado por Freud e reelaborado por Ferenczi, articulando-o à literatura autoficcional contemporânea. Em Freud, a identificação é, frequentemente, descrita como operação constitutiva do Eu, inseparável tanto da perda quanto da introjeção do objeto. Ferenczi, por sua vez, ao investigar o trauma e o desmentido, mostra como a identificação pode surgir como um recurso de sobrevivência, quando o sujeito é forçado a se identificar com o agressor. A autoficção, neste estudo, é abordada como uma terceira via: ao transformar experiências de dor em narrativa, ela possibilita a elaboração psíquica (individual e coletiva). Para tanto, a análise se apoia em obras de Annie Ernaux, Grada Kilomba e Édouard Louis, nas quais a escrita opera como testemunho, reinscrevendo no tecido social marcas de classe, racismo e homofobia.
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