Morte da mãe e criação do pai
inscrições psíquicas e sociais desde o mal-estar colonial
Palabras clave:
Mãe, Pai, Psique, Racismo, TotemResumen
O ensaio objetiva problematizar a violência transatlântica que inscreve na vida psíquica de pessoas negras a morte da Mãe África, do grande útero genitor da humanidade, e inaugura a criação do Pai Totêmico colonizador. Tomo como mote de conversação o uso excessivo de álcool enquanto sintoma do mal-estar colonial transmitido transgeracionalmente entre homens negros a partir da plantation. Na metodologia, tensiono noções hegemônicas de ciência por meio da experiência poético-política encarnada na pesquisa em psicanálise. Lanço mão da ficção como modo de pôr em relevo a escrevivência que marca vozes e história singulares, agenciadas coletivamente. A metáfora do útero do mundo, a Mãe Terra, e a metáfora do útero da criação da humanidade, a Mãe África, são compreendidas como elementos originários que constroem e inscrevem em nossa psique o arcaico de uma feitura primordial de nossa humanidade: a Mãe Totêmica fundadora. Coloco em conversação a entrada do terceiro e a produção da diferença desde o Pai Totêmico, mas, também, a entrada da senioridade enquanto uma experiência não generificada da representação psíquica da mãe. Proponho que seja plausível pensar-sentir a Mãe Totêmica enquanto rastros, resíduos mnêmicos de um tempo memorável, que na relação entre Isso e Eu pode transbordar, ressignificando existências negras.
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