Trauma precoce

destinos do corpo

Autores

  • Gildo Katz Sociedade Brasileira de Psicanálise de Porto Alegre

DOI:

https://doi.org/10.60106/rsbppa.v28i1.946

Palavras-chave:

Corpo, Irrepresentável, Singularidade psíquica, Técnica psicanalítica, Trauma precoce

Resumo

O presente trabalho investiga o conceito de trauma precoce e seus destinos no corpo, articulando a teoria psicanalítica com a metáfora da singularidade de Schwarzschild. A partir da evolução do conceito de trauma em Freud — desde sua concepção como evento externo até sua compreensão como resultado da articulação entre realidade psíquica e fantasia inconsciente —, enfatiza-se a dimensão irrepresentável dos traumas precoces, frequentemente pré-verbais e não simbolizáveis. A analogia com a singularidade física permite pensar o trauma como um núcleo opaco no psiquismo, inacessível à consciência e à narrativa, mas ativo na organização do funcionamento mental por meio de sintomas, somatizações e repetições. Essa perspectiva é aprofundada a partir das contribuições de Freud, Bion, Green, Maldavsky e Winnicott. Do ponto de vista clínico, destaca-se a necessidade de uma técnica adaptada às zonas-limite da mente, privilegiando a função continente, a tolerância ao não saber e o trabalho nas bordas do trauma. Conclui-se que o trauma precoce constitui uma singularidade psíquica, exigindo a ampliação dos modelos teóricos e técnicos da psicanálise, sem abandono de seus fundamentos.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Gildo Katz, Sociedade Brasileira de Psicanálise de Porto Alegre

Membro titular com função didática da Sociedade Brasileira de Psicanálise de Porto Alegre.

Referências

Bion, W. R. (1962). Aprender com a experiência. Imago.

Bion, W. R. (1994). Pensamentos psicanalíticos revisados. Imago. (Trabalho original publicado em 1967)

Einstein, A. (1916). The foundation of the general theory of relativity. Annalen der Physik, 49, 769–822. DOI: https://doi.org/10.1002/andp.19163540702

Ferenczi, S. (1992). Confusão de línguas entre os adultos e a criança. In Psicanálise IV. Martins Fontes. (Trabalho original publicado em 1933)

Freud, S. (1996a). Recordar, repetir e elaborar. In Edição standard brasileira das obras psicológicas completas de Sigmund Freud (Vol. 12). Imago. (Trabalho original publicado em 1914)

Freud, S. (1996b). Além do princípio do prazer. In Edição standard brasileira das obras psicológicas completas de Sigmund Freud (Vol. 18). Imago. (Trabalho original publicado em 1920)

Freud, S. (1996c). Análise terminável e interminável. In Edição standard brasileira das obras psicológicas completas de Sigmund Freud (Vol. 23). Imago. (Trabalho original publicado em 1937)

Freud, S., & Breuer, J. (1996). Estudos sobre a histeria. In Edição standard brasileira das obras psicológicas completas de Sigmund Freud (Vol. 2). Imago. (Trabalho original publicado em 1895)

Green, A. (1983). O trabalho do negativo. Escuta.

Green, A. (1988). A mãe morta. In Ideologia e pensamento psicanalítico. Imago.

Green, A. (1993). Narcisismo de vida, narcisismo de morte. Escuta.

Hawking, S. (1988). Uma breve história do tempo: Do Big Bang aos buracos negros. Rocco.

Liberman, D. (1983). Lingüística, interacción comunicativa y proceso psicoanalítico. Nueva Visión.

Maldavsky, D. (1992). Teoría y clínica del trauma. Amorrortu.

Maldavsky, D. (1997). Lenguajes del erotismo. Nueva Visión.

Maldavsky, D. (2000). La teoría de los modelos narrativos de la mente. Lugar Editorial.

Maldavsky, D. (2004). La investigación psicoanalítica del lenguaje. Lugar Editorial.

Maldavsky, D. (2007). Teoría y clínica de las pulsiones. Lugar Editorial.

Rosenfeld, H. (1971). Uma nota sobre o conceito de núcleo psicótico. In Psicanálise e grupos. Perspectiva.

Schwarzschild, K. (1916). On the gravitational field of a mass point according to Einstein’s theory. Sitzungsberichte der Königlich Preussischen Akademie der Wissenschaften, 189–196.

Tipler, F. J., & Clarke, C. J. S. (1978). Singularities and horizons: A review article. General Relativity and Gravitation, 10(12), 985–1007. DOI: https://doi.org/10.1007/BF00776517

Winnicott, D. W. (1971). A capacidade de estar só. In O brincar e a realidade. Imago.

Winnicott, D. W. (1974). O medo ao colapso. In Explorações psicanalíticas. Artmed.

Downloads

Publicado

24.09.2026

Como Citar

Katz, G. (2026). Trauma precoce: destinos do corpo. Psicanálise - Revista Da Sociedade Brasileira De Psicanálise De Porto Alegre, 28(1), 117–126. https://doi.org/10.60106/rsbppa.v28i1.946

Edição

Seção

Metapsicologia do Trauma

Artigos mais lidos pelo mesmo(s) autor(es)

1 2 > >>