O trauma em Ferenczi — A escuta psicanalítica além do princípio da pedagogia

Autores

  • Eluza Maria Nardino Enck Sociedade Brasileira de Psicanálise de Porto Alegre
  • Ester Malque Litvin Sociedade Brasileira de Psicanálise de Porto Alegre
  • Larissa Brasil Ullrich ESIP — Estudos Integrados de Psicanálise

DOI:

https://doi.org/10.60106/rsbppa.v28i1.945

Palavras-chave:

Clínica do trauma, Confusão de línguas, Desmentido, Empatia, Escuta psicanalítica, Relações primárias, Ternura, Trauma, Traumagênese

Resumo

O presente trabalho examina a evolução do pensamento de Sándor Ferenczi acerca do trauma, destacando sua contribuição para a constituição de uma clínica psicanalítica fundada na escuta, na empatia e no reconhecimento da experiência traumática. A partir de um percurso por textos fundamentais de sua obra, especialmente aqueles pertencentes à chamada “virada de 1928”, evidencia-se o deslocamento teórico realizado por Ferenczi em relação à centralidade da fantasia inconsciente, recolocando a realidade das relações precoces e a presença do adulto no núcleo da traumatogênese. O autor compreende o trauma como um fenômeno relacional, marcado pela intrusão, pela violência e, sobretudo, pelo desmentido da experiência infantil. Conceitos como confusão de línguas, identificação com o agressor, clivagem narcísica e trauma da incredulidade revelam a profundidade de sua reflexão sobre os efeitos psíquicos do sofrimento não reconhecido. Paralelamente, Ferenczi promove uma revisão da técnica analítica clássica ao enfatizar o tato, a autenticidade, a mutualidade e a utilização da contratransferência como instrumento clínico. O estudo destaca ainda a atualidade de seu legado, evidenciada na influência exercida sobre autores como Winnicott, Balint, Bion e Kohut, bem como na compreensão contemporânea dos traumas precoces, dos estados-limite e das falhas ambientais. Conclui-se que a obra ferencziana ultrapassa os limites de uma teoria do trauma para constituir uma ética da escuta, comprometida com o acolhimento do sofrimento, o reconhecimento da dor e a reparação simbólica das experiências que permaneceram sem testemunho. 

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Biografia do Autor

Eluza Maria Nardino Enck, Sociedade Brasileira de Psicanálise de Porto Alegre

Psicóloga, mestre em psicologia clínica, membro titular com função didática da Sociedade Brasileira de Psicanálise de Porto Alegre (SBPdePA), analista de crianças e adolescentes pela International Psychoanalytical Association (IPA).

Ester Malque Litvin, Sociedade Brasileira de Psicanálise de Porto Alegre

Psiquiatra. Membro titular da Sociedade Brasileira de Psicanálise de Porto Alegre (SBPdePA). Analista de crianças e adolescentes pela International Psychoanalytical Association (IPA).

Larissa Brasil Ullrich, ESIP — Estudos Integrados de Psicanálise

Psicóloga, psicanalista. Membro do ESIP — Estudos Integrados de Psicanálise.

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Publicado

24.09.2026

Como Citar

Enck, E. M. N., Litvin, E. M., & Ullrich, L. B. (2026). O trauma em Ferenczi — A escuta psicanalítica além do princípio da pedagogia. Psicanálise - Revista Da Sociedade Brasileira De Psicanálise De Porto Alegre, 28(1), 94–116. https://doi.org/10.60106/rsbppa.v28i1.945

Edição

Seção

Metapsicologia do Trauma

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